"A pegada de quarenta anos" - exibido em 24/08/2009

E o homem pisou na Lua. E não achou são Jorge e não achou o dragão. Está lá a marquinha. Faz quarenta anos que um pouquinho do mistério da menina roliça e branca se perdeu no Espaço. Mas não há lugar melhor que o lar e o homem voltou para casa. E trouxe panela de teflon e trouxe forno de micro-ondas e trouxe tecido autolimpante. Nem tudo está perdido e ninguém morreu à toa no frio da Guerra. Foi preciso pisar a pobre Lua para que se derrubasse o Muro, sabe aquele muro? E de lá para cá tanta coisa aconteceu! Toda vez que gira o meu micro-ondas gira ali um pouquinho da Lua. Toda vez que eu frito um ovo, frito ali um pouquinho da Lua. Quantos dias eles ficaram sem tomar banho para chegar até lá? Será que vale a pena juntar tanta sujeirinha no umbigo só para pisar a nossa menina? A Lua nem é de queijo, nem é de isopor. Aliás, o queijo está mais caro do que ir para a Lua. Quantas delas já passaram pelas nossas vidas, crescendo, enchendo, minguando e desaparecendo? Há quarenta anos atrás ela ficou menos virgem, menos intacta, menos sozinha. Tem uma bandeirinha lá, deflorando-a há quarenta anos. Quantos não morreram por causa da contagem regressiva, por causa do refratário dos capacetes, por causa do seu defloramento. Uma humanidade inteira morreu naquela noite fria em que eles pisaram lá. E não tinha são Jorge e não tinha dragão e não tinha queijo e não tinha marciano. Tinha Colombo. Colombo estava lá porque foi por causa dele que chegamos a Lua. Ele atravessou os mares, ciberespaços de sua época, e foi dar no Mundo Novo. Os meninos do foguete atravessaram o ciberespaço, um mar de nada, para dar na massa branca polar da Lua. Neil pensou em Colombo e Colombo pensou em Neil. Neil do Braço Forte. Ambos se fitaram longamente mas ninguém disse nada ao outro, só pensaram "este vai ser nosso segredinho". E tinha toda aquela gente que morreu queimada por dizer que a Terra não era quadrada, nem feita de geleia de mocotó, nem era sustentada por elefantes e tartarugas. E a Lua vai girando e girando no meu céu como uma vitrola amarelinha encantada. Vai dançando Moon River até alcançar o zênite pastoso de nutella para chegar ao mar de Colombo. Toda vez que isso acontece, ele sorri e fica pensando no ovo que jamais deveria ter deixado de comer por ter cozinhado tão bem para evitar a salmonela. E a frigideira? A frigideira era de teflon. (Texto: Peterson Dias)
Arte e Palavra Rádio Universidade de Londrina - FM 107,9. Ouça online em www.uel.br/radio
Segunda-feira: inédito, 16h30 Reprises: quinta-feira: 21h/ sábado: 9h Produção: Ana Carolina Lucca, Kleber Arantes e Peterson Dias Email: arteepalavra@gmail.com
Escrito por Arte e Palavra às 21h37
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"O artista" - Reexibido em 03/09/2009
Veja a postagem original aqui.
Escrito por Arte e Palavra às 11h49
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"Retrato" - exibido em 10/08/2009

É o retrato da casa, do tempo que passou, da intriga, da briga, que se transformou em poesia. Gravou, escutou fica e ficou... Retrato Pela cozinha da casa ainda cozinha a manhã, a manha, a sanha assanham as lágrimas me banham e assim... “me verto tinto”, tonto, pranto, tanto pronto (Kleber Arantes)
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Escrito por Arte e Palavra às 11h45
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